quinta-feira, 14 de julho de 2011

Para G.N.

Rapaz, você não sabe.

Andam achando por aí - pasme, até dizendo! - que eu ando escrevendo que nem você. Que meu blog vai ter musiquinha antes dos posts. E pior, que eu sou uma cópia barata, falsificada. Made in Taiwan. Acredita nisso?

Injustiça, eu sei. Mas calma, relaxa que eu não quero dizer pra eles que você que me imita. Não sou cruel, sei viver com esse tipo de engano. Nós dois temos nossa carreira bem consolidada, não vejo motivos pra fazer caso. Além disso, não temos culpa se o assunto do momento é o "amor". Sempre foi a coisa mais falada na cidade. E ainda, não somos os causadores dessa febre, dessa moda em cima de nosso tema principal. Não armamos esse circo, não é, meu chapa?

Como bons visionários que somos, começamos a extrair o suco dessa fruta proibida. E acertamos a mão, fala aí: amor-próprio, amor-perfeito, amor-sexo, amor-omisso, amor por amor, amor pelo prazer, amor pela dor. Eles escolhem e a gente escreve. Nós jogamos pra torcida, descaradamente. Mas alguém pode atirar a primeira pedra? Até podem (não, não!), mas sem julgamento de juízo? Quem não faria a mesma coisa se pudesse?

Somos meros instrumentos da colher divina, meu caro. Estamos nessa pra dar sorrisos e lágrimas, um pouco de verdade pra esses corações que precisam de palavras. Se alimentam disso. Se agarram nas letras que usamos como se fosse a última chance, a última vez, o último beijo. Sofregos, lânguidos, entorpecidos por nossa capacidade inata em falar de coisas que, pra nós, são tão comuns. Desculpe, a modéstia me fugiu por um instante.

Enfim, vamos ficar assim.
Eu continuo daqui e você daí. Estamos indo bem, você já tem seus livros. Eu logo vou ter os meus. Se importa de eu vender no meu blog, que nem você? Seu tato pra marketing sempre foi melhor, convenhamos. Tanto que aconteceu esse mal-entendido. Nada mais justo, não é?

E naturalmente, não é uma corrida.
Tenho uns amigos músicos que também querem o que a gente quer, mostrar alguma coisa pro mundo, fazer uma diferençazinha que seja. E que se sentem tão mal quanto a gente em vender uma coisa tão nossa. Mas, já dizia o poeta do gueto, se alguém tem que ganhar dinheiro com essa porra, que seja a gente, de acordo?

Quem chegar no topo primeiro, põe a cerveja pra gelar e espera o resto da troupe.

Cordialmente, de seu estimado colega e rival,

G.C.

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