domingo, 17 de julho de 2011

One-Night Stand

Gostei da sua foto de ontem.

É, o dedinho na boca foi essencial. Sensualidade emanando.

Tá, a embriaguez também era visível, mas vamos dizer que eu não percebi. Do mesmo jeito que não me toquei que não era para o barman saradão que você estava olhando, era pra mim. Do outro lado da pista e com doses cavalares de ceticismo, preferi acreditar que a mulher mais bonita da festa não me achava nada interessante.

Afinal, porque acharia?
Você não sabe quem eu sou, o que eu faço da vida, se sou ciumento, rude, simpático. Se gosto de Beatles ou Metallica, de Casa Blanca ou de Star Wars, Flamengo ou Corinthians. Hoje, ser interessante está diretamente ligado ao marketing pessoal. Não precisa ser realmente, é só parecer. E pra você, de alguma forma impensável por mim, eu parecia.

Talvez foi a barba por fazer, a cara de sonso ou o fato da minha miopia ser confundida com um olhar penetrante, mas você fez questão de sorrir. E tirar aquela foto olhando pra mim.

Não façam isso, meninas.
A gente não aguenta tanto.

O vestido preto reluzente. O ar meio transtornado de muita ice e Red Label. A franja caindo no rosto sorridente, olhos de ressaca. Minha Capitu, futura esposa, mãe dos meus filhos...

Não era pra te assustar, mas também não precisava rir da minha cara tão descaradamente. Minha paquera é apaixonada. Eu vivo assim, no limite. E agora é tarde pra dizer que foi isso que você captou, quando me beijou no meio da festa, sob a névoa do gelo-seco e o calor do funk carioca. Foi quase um paradoxo climático, nossa ardente demonstração física de afeto e o frio glacial de agosto. Na próxima, me apaixono a primeira vista numa balada fechada.

E aquela despedida?
Que espécie de pessoa desalmada pergunta, sem nem virar pra trás, enquanto entra no táxi:

- Vamos fazer uma festa vip na próxima?

Quer dizer que vai ter uma próxima? Eu e você? Eu peguei seu telefone? O que quer dizer festa vip? É o que eu tô pensando? Bem, eu achei teu Facebook e mesmo que você não tenha ideia de quem eu sou e de que isso é uma mensagem inbox um tanto quanto intimidadora, achei justo me abrir. A gente passa a vida com medo do que o outro vai pensar. O máximo que pode acontecer é você me bloquear nas redes sociais.

Mesmo assim, garanto: garota, com esse teu jeito alucinado, já tenho uma festa rolando dentro do peito. E o camarote é todo teu.

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