domingo, 3 de julho de 2011

Don't Look Back in Anger

Não pensei na hora.

Pra que estragar o momento? Meio bêbada e delirante, era tudo que eu queria pra justificar o fim. E o fim era só começo, mal sabia eu. Ingênua? Não. Você estava sendo um fraco, inconsequente, correndo o risco de magoar alguém que estava sonhando com você, esquentando o colchão pra quando você chegar. E eu sabia de tudo isso.

Mas e daí? Seria um moralismo barato dizer que a gente, na hora, pensa nos outros. Somos egoístas por natureza. Quem vence, é egoísta, me disseram uma vez. Eu não venci nada, só dormi com aquele cara fofo e perfeito, que naturalmente estava namorando. Tive um test-drive. Depois de ter previamente aprovado a mecânica e o design arrojado.

E aí comecei a pagar as prestações, numa compulsão descontrolada. O próximo encontro casual - tá, nem tão casual assim - foi o estopim para o próximo. E o seguinte.

E me vi num triângulo desforme e infinito, onde todo mundo estava sofrendo.

"Você acredita que uma pessoa pode amar e se apaixonar ao mesmo tempo?"

Não me pergunta isso, meu bem.
Você não pode judiar assim de um coração cigano como o meu. Não parece, mas por trás da maquiagem pesada, da roupa curta e do sorriso enigmático, existe o desejo de mulher simples. Ficar de conchinha no domingo, ver o jogo do Brasil e compensar o empate com um amor incendiário, onde cortinas caem, copos quebram e casas desabam.

Quero seu nariz frio no meu pescoço, na penumbra.
Quero que você me ligue pra perguntar se eu quero alguma coisa do supermercado.
Quero ouvir seu violão, tocando as mesmas músicas de sempre.
Quero sua paixão em mim, me revirando por dentro.

E você nunca vai saber disso, porque é muito injusto. Com ela.
Ela te ama tanto quanto eu. E digamos que seja por ordem de chegada. Você disse que amava ela antes de se apaixonar por mim. Não sou baixa, nem invasiva.

Sou só alguém que estava no lugar errado, na hora errada.
Se sua palavra vale alguma coisa, me mostra.
E pode deixar, eu vou ficar bem, você nunca vai ser só mais um. O seu lugar está aqui, vago.

Só não garanto até quando, claro, você entende.

Ossos do ofício.

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