- ...agora eu tô. Pergunta idiota.
- Desculpa, pode ir dormir.
- Agora fala.
- Então. O que você acha de mim?
- Ah, fala sério! Tá zoando com a minha cara, fala aí...
- Não, eu preciso saber.
(Resmungos e palavrões inaudíveis.)
- Fala o que você acha de mim!
- ...eu acho que você já me magoou muito. Já me fez sofrer por sua causa diversas vezes. Eu tentei acreditar em você, tentei. No duro. Apesar de estar me divertindo como estava, me joguei nos teus braços, poxa. E larguei tudo. Pra que? Pra você me ferrar lá na frente, como sempre.
- Mas foi sem querer.
- Eu sei que foi. Mas sou humano. Você é um parasita que vive em mim, se alimenta do que eu tenho de melhor e vai embora a hora que quer, com crueldade mesmo.
- Não diz isso, te dei as melhores coisas do mundo.
- E todas elas sairam caro. Ainda tô recolhendo meus pedaços por aí, sabia?
- Nada é de graça.
- Não começa com seus chavões baratos. Se disser que "foi eterno, posto que é chama", te mando pra aquele lugar.
- Certo. O que mais?
- Eu te acho um saco. Sempre te achei. Só é bonito de perto, de longe, bem, é terrível.
- Nossa, gostei da franqueza.
- Eu fico mal-humorado quando acordo, desculpe. Mas caramba, não dá pra ser feliz contigo. Só feliz, sem brigas, sem mágoas. Você complica tudo e...
- Tá, eu já entendi, quer que eu vá embora. Eu vou. Mas um dia volto.
- Pode ir. Tenta não arruinar a vida de outra pessoa incauta, pode ser? Pra variar um pouco.
- Vou tentar. Até mais.
- Tá, tá...
(Som de janela abrindo, farfalhar de galhos da árvore do quintal, passos se distanciando.)
- Não sei porque chamam esse maldito de Amor. Heresia tremenda.
Inspirado por Liberté, viu, mestra? ;)
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