Estafante, é a vida do escritor renomado.
Eu sei porque o sou. Naturalmente.
Tive minha primeira tarde de autógrafos. Minha agente, a Dora, disse que era natural começar conquistando o interior de nosso querido país tupiniquim, tal qual os bandeirantes e tropeiros fizeram, séculos atrás, mesmo contrariando algum tratado qualquer.
Admirei a sensatez e perspicácia de minha agente, sendo esse o motivo pelo qual a contratei, por supuesto. Ah, desculpem-me. Tenho lapsos, efeitos colaterais de minha vida internacional. E minha última viagem, por via de consequência, foi para nossa península ibérica, refazendo os passos do mestre Paulo Coelho, pelo caminho em Santiago de Compostela. Ah, o Mago, sempre perspicaz!
Enfim, estávamos falando do que? Ah, meu primeiro passo ao sucesso...
Fomos então para a simpática e aconchegante Ipumirim, no interior de Santa Catarina. Prefiro não demorar-me nos detalhes, sobretudo o da viagem em si, já que ela foi, em suma, dormitante e assaz enfadonha.
Já em Ipumirim, constatei que, com seus sete mil habitantes, não era modéstia afirmar que minha chegada foi o acontecimento mais importante da cidade desde a Primeira Parada Gay de Ipumirim, um marco do liberalismo e liberação geral dos parcos homossexuais que lá habitam e suas respectivas frangas, mesmo (e até) porque cresceram entre lenhadores e nonnas italianas.
O primeiro que veio ao meu encontro, na rodoviária local, foi o ilustre prefeito Valdir Frantchesco com seu caloroso aperto de mão, filho de um gaúcho macho e uma italiana, fêmea, presumi. Juntamente com ele, vinha o restante da comitiva de recepção, formada pela primeira-dama, D. Marta Frantchesco, legítima italiana, corpulenta como o esposo; o dono da Róseas, única livraria do lugarejo inóspito, "Seu" Almir Neugebauer; e por fim, o delegado Nicole Pesci. Sim, não houve erro no gênero do infeliz representante da lei. Parece que para os italianos, existe o nome unisex. É um recurso útil para nossas indecisas mães que, afogadas na sua própria falta de atitude, resolvem chamar seu rebento de Maicon Diécson.
De qualquer forma, dei meus respeitos ao grupo e pedi para me retirar para meu quarto. No melhor hotel da cidade, uma pousadinha com lareira, em meio a visões bucólicas do oeste catarinense. A névoa e o frio nem me atormentaram, fiz com que o corpo caliente de Dora me esquentasse. Sim, digamos que ela seja a primeira agente em regime de concubinato do mundo.
Vantagens de escrever coisa de mulherzinha.
To be...
To be...
TOBE! Já pra casinha! Cachorro mau.
To be continued...
Quer dizer "continua", na língua anglo-saxã...
minha agente dora; minha agente adora, hahahaha
ResponderExcluirmuito bom
**negão