você vestia aquele vestido índigo lindo
revelavam joelhos que eu queria tocar, mas não podia
desejos de casar com uma pessoa que não era eu
E mesmo sem lembrar exatamente do que conversamos
lembro que foram tantas coisas que a gente não parecia
estar se conhecendo ali.
A segunda vez que eu te vi
já estávamos descobrindo que não era só aquela noite
não eram só palavras que precisávamos um do outro
eram gestos, toques, beijos e abraços
uma quase lascíva conquista do teu corpo
em plena madrugada sob um céu de blues
cinzento do amanhecer de São Paulo
A terceira vez que eu te vi
O que era uma conquista se tornou troca
ou mistura, ou fusão, ou sinergia
como se tua mão fosse a minha
como se tua voz dissesse o que eu queria dizer
e teu olhar tornasse para onde eu queria enxergar
Bonito seria se este dia acontecesse pra sempre
A quarta vez que eu te vi
Encontramos duas camas de solteiro
um jantar de fast food, um sorteio
de quem pediria água pro serviço de quarto
um café-da-manhã quase perdido
e um desenho animado que virou memória
A quinta vez que eu te vi
Nós não estávamos mais juntos
pelo rótulo que eu mesmo enfraqueci
a cola que parecia ter dissolvido
continuava inteira e sólida
a gente só não sabia mais
A sexta vez que eu te vi
o céu de blues virou lâmpada
que não apagava, mesmo sob teus
mais intensos e furiosos apelos
mas mesmo assim, o amor nunca
iria evitar de comparecer em nosso leito
A sétima vez que eu te vi
tivemos a chance real de provar
do mel da nossa vida futura
onde você vai poder, sem exagero
falar que a festa vai ser na NOSSA casa
A última vez que eu te vi
foi em fotografia só
estava sorrindo como sempre
feliz como sempre
e tendo um escritor aos seus pés
ainda e sempre.
Baseado na música que eu não preciso ouvir, você me completa a esse ponto.
Como se fosse a primeira vez. :*
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