quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma vez #2

A primeira vez que eu te vi
você vestia aquele vestido índigo lindo
revelavam joelhos que eu queria tocar, mas não podia
desejos de casar com uma pessoa que não era eu
E mesmo sem lembrar exatamente do que conversamos
lembro que foram tantas coisas que a gente não parecia
estar se conhecendo ali.

A segunda vez que eu te vi
já estávamos descobrindo que não era só aquela noite
não eram só palavras que precisávamos um do outro
eram gestos, toques, beijos e abraços
uma quase lascíva conquista do teu corpo
em plena madrugada sob um céu de blues
cinzento do amanhecer de São Paulo

A terceira vez que eu te vi
O que era uma conquista se tornou troca
ou mistura, ou fusão, ou sinergia
como se tua mão fosse a minha
como se tua voz dissesse o que eu queria dizer
e teu olhar tornasse para onde eu queria enxergar
Bonito seria se este dia acontecesse pra sempre

A quarta vez que eu te vi
Encontramos duas camas de solteiro
um jantar de fast food, um sorteio
de quem pediria água pro serviço de quarto
um café-da-manhã quase perdido
e um desenho animado que virou memória

A quinta vez que eu te vi
Nós não estávamos mais juntos
pelo rótulo que eu mesmo enfraqueci
a cola que parecia ter dissolvido
continuava inteira e sólida
a gente só não sabia mais

A sexta vez que eu te vi
o céu de blues virou lâmpada
que não apagava, mesmo sob teus
mais intensos e furiosos apelos
mas mesmo assim, o amor nunca
iria evitar de comparecer em nosso leito

A sétima vez que eu te vi
tivemos a chance real de provar
do mel da nossa vida futura
onde você vai poder, sem exagero
falar que a festa vai ser na NOSSA casa

A última vez que eu te vi
foi em fotografia só
estava sorrindo como sempre
feliz como sempre
e tendo um escritor aos seus pés

ainda e sempre.

Baseado na música que eu não preciso ouvir, você me completa a esse ponto.

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