Imagina se eu faço uma surpresa.
Você me diz que tem festa hoje e que vai curtir a noite com as amigas. Eu sorrio, mal sabe ela que eu também vou estar lá. Já procurei onde é que vai ser o tal happy hour e me informei com a galera sobre como chegar lá.
- E você, vai fazer o que hoje? - é a sua pergunta
- Aqui também tem festa hoje, vai todo mundo.
- Ah...
Nos despedimos e a gente nem desconfia do que vai acontecer.
O bar ainda está em fase de montagem. As cervejas são colocadas nos diversos freezers e os drinks são preparados para ser vendidos em grande escala. Seu famoso disco-voador aguarda num copo plástico, pronto para ser absorvido pelo fígado e assassinar células cerebrais. Eu sento numa cadeira, observando o movimento. A hora da festa está chegando.
Agora são dez horas. Eu vejo o vestido lilás inconfundível, de costas para mim, entre a multidão. Faço menção de me aproximar mas paro.
Acho que a sensação de ver uma pessoa morta é quase da mesma magnitude. Como se sua espinha fosse concretada e suas pálpebras esquecessem de se mexer. Seu coração parece ricochetear por todos os lados e o suor cai frio pela sua testa.
Não consegui manter o contato visual por muito tempo, ver aquele beijo seu em outra pessoa me deu vontade de vomitar. Não por nojo, por ódio. Mas porque tinha amor envolvido. E com sentimento não se mexe só por mexer.
Fui para o aeroporto, peguei o primeiro vôo pra casa e esperei. Às onze e quarenta e dois, você liga.
Imagina só o quadro.
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