segunda-feira, 25 de abril de 2011

Uma Verdade e Uns Versos

As gotas grossas de suor de nuvem caem pesadamente sob o floco urbano que sobrevivemos. Nem eles, em plena segunda, querem trabalhar hoje, apesar de sua função estar limitada em deixar-se levar pela gravidade e impulsionar-se com toda a força em nossas cabeças despreparadas, cobertas por pastas de trabalho, mochilas e casacos.
A improvisação é a arte suprema da versatilidade humana.

Minto.

A arte suprema da versatilidade humana consiste no indecoroso e quase profano fato de que somos capazes de mentir para nós mesmos - e acreditamos em nossas mentiras como verdades. Tornamos uma falácia numa bengala, muleta indestrutível que nos carrega, não raro, nos definindo como pessoas normais.

E, pasmem, existem aqueles. Ah, pessoas tão fundamentadas. Fiéis de uma crença onde sua personalidade deveria parecer única. Sim, crianças, vocês são parte integrante da Igreja da Falsa Ingenuidade. Começam a se enganar quando acreditam que não são influenciados por quem cercam suas percepções. E quando menos esperam, estão com a cara maquiada, sombrancelhas grossas, aquelas roupas monocromáticas, de suspensório e, claro, o irrepreensível chapéu-coco. Fazendo pose.

Não condeno, a pateticidade que seria comum ao ser preto-e-branco não pode ser alvo de crueldades, afinal, todo mundo quer seu lugar ao sol.
E a gente é assim, fazer o que?
Nem sempre seguimos convicções que nasceram de nosso cérebro altamente desenvolvido. E precisamos de uma para seguir em frente. Ou, pelo menos, reproduzir o efeito de uma caminhada.

Mesmo que seja na esteira ergométrica de nossa ilusão diária.

* * * *

"Hoje, caminhei na direção leste, rumo ao Vazio.
Cheguei no Nada e praguejei minha incompetência.
Voltei me sentindo a pessoa mais humilde do mundo."

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