domingo, 10 de abril de 2011

Paranomásia

Eu quero escrever.

Qualquer coisa que faça sentido pra mim.
Fiquei na beira da praia de Copacabana, entre araras azuis e tartarugas amarelas e um anjo me sussurrou: "O desconexo tem sua beleza."
E eu escrevo coisas desconexas pra explorar as cavernas e os reflexos d'água nas paredes rochosas da gruta que esconde a Inspiração.

* * * *

Sinto amor com melancolia de quem eu quero e questiono se minha vida nessa cidade vai valer a pena. Não deveria, tendo em vista todo o processo que me jogou aqui, mas sinto. Não controlo. Ouvir aquela poetisa criar versos em pensamento para outrem me deixa doente, terminal, pálido e raquítico. Me alimento disso, minha dieta é baseada em seu amor, amor. Preciso de confiança e de certeza. Dê amor, mas dê amor incondicional. Também deixei desiludidas no caminho. Aliás, será que eu sei de todas as desiludidas que eu deixei por aí?
E eu quero ouvir. Sou seu melhor amigo sim, mas quero ser teu melhor amante. Me dá um tantinho assim de felicidade por estar comigo que eu serei todo ouvidos, boca, beijo, suor e calor.

* * * *

Saudade é um poço sem água, que a gente esquece que tá interditado. Todo dia acordamos a imaginar o sabor e o frescor de um copo fresquinho de água da bica, corremos até o balde, jogamos naquele buraco e esperamos o som de mergulho. Nada. Apenas um baque oco e sem vida. Damos uma olhada e lá está o balde, jogado numa poça dentro do poço. Quase nada de água e quase tudo de sede. Vamos nos resignar e esperar a chuva cair, uma tempestade que abasteça a água que nos falta e mate a sede que nos mata.
E depois de morta, vamos esperar que ela volte, ressucitada e cada vez mais forte.

Até que ela leve a gente.

* * * *

Vou fazer um samba, que lembrem aquelas laranjas do interior, com sotaque carregado e consciência plena do que quer. Ou melhor, vou fazer uma balada, de dançar agarradinho, cheirando o perfume que nunca está naquela nuca, nos dias comuns. Só em dia de baile, à baila dos acontecimentos mundanos e das situações terrenas.
No final das contas, a gente só quer um pouquinho de chamego e blá-blá-blá.

* * * *

Engraçado.
Já é a centésima vez que falo aqui. E parece a última - ou a primeira.
Não vou parar, não sou de parar. Sou homem de continuar. Homem, sujeito-homem. Coisas de Rio. E aqui, com toda a beleza violenta que encontro nessas ruas ensolaradas, eu falo.

Quando eu parar, podem colocar meu corpo num caixão e chorar por mim.

7 comentários:

  1. vou por no meu blog o textinho sobre a saudade ali. achei muito bonito e compartilho do sentimento!

    beijos

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  2. A saudade bate a porta, entra pela janela (noite quente, cheiro de vento) e se faz entender no papel, no samba, num "Rio de choro e de bossa" - não necessariamente os estilos musicais. E, ainda assim, há música - embalo pra saudade.

    Giovanni quer escrever, e escreve bem. Me arrancou um ou dois sorrisos. :)

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  3. O desconexo tem mesmo sua beleza... ;)

    já devem ter te falado que eu acho sensacional tudo que você escreve, né? sou muito fã mesmo e acompanho sempre! hahaha

    beijo!

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  4. Posso escrever aqui?

    100 vezes é pouco para quem ainda tem muita coisa pra mostrar/escrever.

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  5. Bate tudo no liquidificador, toma um pouco e deixa escorrer o resto!
    Cabra Ômi! Mata inté o delegado!
    Bora malander!!

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  6. Escrever é ato de desilusão, é se ver pelo outro.

    http://inimigodobom.blogspot.com/

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  7. Curti teus textos pacaraio! Escrever pra mim são "clichês suaves de uma criatividade amarrada à expressão da vida".
    Não para, não para, não para não!

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