Minha vida anda em passos descompassados. O ritmo não é o mesmo faz tempo. Antes o tom de minha alma era regido pela batida frenética do meu coração, dos goles de minha cerveja e das risadas dos meus amigos.
Joguei minha mala e meu violão no bagageiro, quase com raiva. E vocês, mudos. Eu não quis olhar. Não podia, ia arruinar minha convicção. Meu egoísmo de vencedor iria se desfalecer, como se as lágrimas fossem ácidas.
Tum-tum. Sobrou um som oco, um eco dentro de mim. Dizendo que a ilha que eu deixei ainda tem marcas minhas, que sou visto em esquinas, bares, festas, ruas e salas de aula. Que meu jeito largado, despretensioso e - por muitas vezes - inconsequente nunca foi tão lembrado.
E, ao mesmo tempo, fui furacão ou fenômeno natural do tipo arrasador: que vem, atropela tudo, muda tudo de lugar e vai embora. Assolei a ilha por um tempo e, depois que dissipei no mar, quando as coisas voltaram pro lugar, ninguém mais lembra que um dia esse furacão com meu nome virou tudo de cabeça pra baixo.
Hoje, respondo.
Meu corpo está em outra cidade maravilhosa, vivendo uma vida de gente grande, entre prédios grandes, com carros e fumaças. Mas eu sou pequeno, ainda. Por enquanto. E, quando alguém pede pra eu voltar, eu mando meu pensamento, mando minha sombra que andava amarrada em meus pés. Digo pra ela o caminho. "É a segunda estrela, à direita, depois seguir reto, até o amanhecer. Quando você encontrar sereias, fadas, lutadores de jiu-jitsu, piratas, princesas e até políticos, você vai saber onde chegou."
E até pode ser que não seja nessa vida ainda, mas vocês ainda vão voltar a ser minha vida. E vou dizer pra Deus que são os amores da minha vida.
Porque não dá pra viver nessa vida morrendo de amor.
eu fiz uma resposta... Mas que só depois se posta... Só pra afligir o Furacão.
ResponderExcluirchoram as rosas :~
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