sábado, 25 de junho de 2011

Mais Uísque?

Ok, lá vai: você não vai ser feliz com ele.
Minto. Até vai. Mas não tanto. Felicidade com limites, como um termômetro, que não passa dos quarenta graus. É uma boa metáfora pra esse amor febril, que finge, ameaça explodir e fica apitando, que nem panela de pressão, exaurindo o vapor em excesso.

As piores verdades são as mais concretas, elas batem no seu rosto com luva de pelica mesmo. E você sabe que a dor do tapa não é o que conta, é o som do estampido que humilha. Grande Nelson.

Mas não me demoro em divagações. Voltemos ao ponto de partida.

Ficar com ele é um retrocesso, você entende. Claro. É como deixar que a derrota ria na sua cara e diga "parabéns, era isso que eu queria". Esse gosto de bile na boca? Essa dor que parece princípio de enfarto? É isso.
Esse sussurro no seu ouvido não é de assombração, é o sopro do vento indo embora, aquele vento forte que te fazia lacrimejar, quando você colocava a cabeça pra fora da janela do carro. Te fazia tão bem, não é? Livre, você gritava, sob a luz da lua na estrada fria. Mais uísque, garçom, por favor.

Você não é tão tola em acreditar que superei, que segui em frente, virei a página, suponho. Todos esses jargões convencionais, que nunca combinaram com a gente. Te vejo no reflexo do vidro do ônibus. Nas fotografias em preto-e-branco que eu fiz. Na cama desalinhada. As nuances de seu aroma ainda ficaram na memória, não dá pra apagar.

E nem você superou. É o que eu gosto de pensar. Só me convenço se chamar ele de namorado na minha cara. Então eu sumo.

E aí, quando você notar que meu assento jamais vai ser ocupado, e que ele não está sequer quentinho, como se eu fosse voltar a qualquer momento, você vai saber que a vida te dá muita coisa.

Mas tira na mesma proporção.

* * * *

O que eu quero?
Boa pergunta. Muito boa.

Comandante, me vê a saideira.
Já não consigo mais raciocinar o óbvio.

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