Você pintou o rosto todo.
Fica bonita assim, parece uma índia. Não, não estou sendo irônico, o batom combina com sua pele. Desculpa a risada, mas sempre que falo da sua boca, você faz biquinho, como se isso fosse um reflexo ao elogio. E deve ser mesmo, você faz coisas sem perceber que nem imagina.
Me olha, como quem diz: "Você vai mesmo ficar aí parado? Eu tô aqui."
Aí, quando a gente fica sozinho, dá um jeito de fugir pra perto de uma amiga, dançando e disfarçando. E quando eu menos espero, sinto suas garras um pouco acima da minha barriga, me abraçando por trás. Ou seja, vai mas não vai muito.
Eu já falei, ficou bom. Eu ainda não entendo porque quer saber minha opinião, sou uma negação pra escolher roupas, você sabe. E suspeito também, porque pra mim você não precisa ter roupa pra ficar bonita. Quer dizer...ah, você me entendeu.
Sentimento é que nem um muro. Você constrói tijolo por tijolo, com cuidado pra não deixar nenhum bolsão de ar. Eu sei, papo de pedreiro. Você não gosta? Ah, namorar engenheiros civis por quatro anos faz isso com as pessoas. Mas deixa eu voltar pro raciocínio. Se o ar sobra entre os tijolos de um muro, você pode levantar uma coisa que parece muito concreta, só que no final, cedo ou tarde, tudo vai cair, por causa daquele arzinho desgraçado que ficou entre o segundo e o terceiro tijolo, e isso vai ser bem patético se você erguer um muro de cinquenta metros e...
...
...tá, agora o seu batom ficou todo na minha boca. Sim, eu posso devolver ao invés de tagarelar.
Posso só dizer que eu tô gostando de você?
Porque eu tô. Bastante.
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