terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dicionário #4

S

Sérgio s.m.

Ser de massa corporal elevada, que ocupa espaço físico em excesso dentro e fora da gente. Faz poesia boa, toca música boa e - pasmem - pega mulher boa, volta e meia. Afinal, ele transparece e se destaca na multidão. Sendo carregado, de muleta, ou não. Rescendendo amizade, misturado com o cheiro da cerveja seca, na Trindade. Com a camiseta pólo listrada. Com a fumaça do cigarro e mais nada. Nicotina presa no ar. Um dia, perto do mar, ele descansou. Agora, de volta a árvore de lima, faz o fruto secreto da poesia brotar dos ramos de sua cabeça gorda. Seus seguidores-fãs nada virtuais seguem viagem. Quem chegar primeiro, põe a Skol na geladeira e espera o resto da tropa. Pacientemente. Paciente. Ente. Irmão.

Samuel s.m.

Torcedor doente. Mestre na arte de ser um perfeito imbecil, com um quê de infantilidade. Por outro lado, símbolo de lealdade e amizade. Exemplo de integridade, alegria e um tantinho assim de vadiagem. Traz a risada no bolso e, apesar da baixa estatura, é um grande amigo. Para se guardar por muitos momentos, seja na pelada de segunda, no jogo da terça, no show da quarta, no bar de quinta e até mesmo, tocando "sucessos como Gatinha Manhosa".

T

Tanay s.f.

Menina-mulher que parece, com sua cor jambo, deixar o mundo em câmera-lenta. Não é sabido se vem dos lábios traduzidos em sorriso doce ou da argola metálica encrustada no canto da boca. O é ponto pacífico é que a risada tem fator agravante, sem sombra de dúvida. E a tontura deve ser também efeito colateral. Naturalmente que alguém tão meigo não poderia possuir reflexos de um guepardo. Menina vertiginosamente cambaleante, sempre à beira de uma queda. Ou luxação em algum objeto duro. Porém, suas garras sim são afiadas como a do felino supracitado. Deixa marcas por onde passa. Sempre.

Thiago s.m.

Alcunha de Val. Ou seria o inverso? Poeta boêmio dos tempos da parafina. Parafina porque tinha mania de ir à praia às 4h30 da manhã. Ou porque teve a infeliz idéia de descolorir o cabelo, como o de um surfista bêbado. Enfim. Traz uma tranca invisível ao redor de seu enorme corpo redondo e seboso, que protege todos seus segredos mais inimagináveis. E oferece outros em troca, um outro Thiago, um músico nato, sereno, hilário, inconsequente, irresponsável, companheiro. Apaixonado pela vida. E, no sentido natural da barganha infinita que ele reproduz, pede o amor dela em resposta. Correspondência. É o único jeito de encontrar este artista perdido, num fim-de-tarde qualquer, tocando um blues acabado no meio dum mato, sem oaparápapara pra completar a rima. E se a tal carta chegar, não espere resposta. Muita preguiça pra isso. Mas talvez saia uma canção, se você tiver sorte.

V

Vinícius s.m.

Por um acidente do destino, um indíviduo com altos índices de melanina no tecido epitelial se fez presente no mundo, trazendo um pouquinho mais de negritude e sabedoria plena neste mundo a cores. Espalha a semente de sua vivência através das pessoas que conhece e tem uma avó que, dizem, é a reencarnação de Platão. De qualquer forma, possui talento inato para ser companheiro, amigo e confidente, embora confunda um desabafo com uma psicoanálise, às vezes. Mas o que importa é a intenção. Ele tem uma série delas, e as más ele guarda para os espécimes femininos do ser humano, onde ataca sem dó nem piedade. Afinal, é disso que ele tira suas letras, todo seu conhecimento de vida se alimenta de paixões. Quando as dele não é suficiente, se apropria das que conhece. E traduz tudo no alfabeto romano, só de birra. Afinal, nem todo mundo pode ler um sentimento. Ele pode.

Um comentário:

  1. Ou morres, ou vens morar mais perto, porque assim não dá mais pra ficar!


    Seu filho da puta, podia jogar pimenta no meu olho que eu chorava mais fácil!

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