sábado, 30 de outubro de 2010

De quinta à segunda-feira

A hora chegou.
A última chamada da estação parece soar ilusória. Mas não é. Parece brincadeira, né?
A vida faz a gente andar de muletas pelas suas escadas e caminhos íngremes. E quando alguém vem te avisar depois que era só ter ido de elevador, você não amaldiçoa tudo e todos. Você dá risada.
Hoje eu vejo cada um dando uma memória, um pedaço de si, para que quando chegar ao topo dessa montanha que estamos pra escalar, olhemos para baixo e vejamos as pessoas que sempre apoiaram. Quando eles gritarem, em coro, por uma música, por um sentimento, por uma palavra, você tenha confiança para dizê-la.
Amizade de faculdade é engraçada. A gente mistura as vidas numa só e faz dela uma coisa frenética, cheia de descobertas e novidades. Fazemos da nossa poesia, una. E de nosso deslumbre, uma coisa só.
O trem te chama. Nós somos vencedores. Nós vamos conhecer o topo. Logo, eu estarei aí com você. E aí, a gente volta e mostra pra todo mundo porque a gente tinha que ir embora.
Foi, é e sempre vai ser uma honra.
E fica assim: eu te ligo e você atende.
Falando besteiras, como sempre.

* * * *

De todas as meninas que tietavam aquela banda, na festa de ontem, a única que eu notei foi uma de pele branquinha e sorriso perfeito. Ela despontava das outras, de algum jeito.
Mas o show foi ridículo.
Sim, os músicos estavam irrepreensivelmente embriagados. Pudera: era sua última apresentação da sua curta temporada - e tempo de vida -, por isso, era natural que tocassem do jeito que se sentissem felizes. E alcoolizados.
Não é injustiça, eu sei que eles tocam bem. Quer dizer, o backing vocal sempre foi medíocre e o baixista não estava em seus melhores dias. Mas tirando isso, eles são bonzinhos. O engraçado foi o final.
Os conhecidos da banda foram abraçar os caras. Conhecidas, na verdade. Algumas meninas, que até choravam, emocionadas com o fim, suponho. Ou seria aliviadas?
E aquele mesmo backing vocal medíocre ganhou o abraço daquela menina, que chorava compulsivamente. Ela o apertou com força, os dedinhos alvos quase cravando as costas do rapaz, que envolveu aquele corpo pequeno com seus braços magros e compridos.
Não sabia a relação dos dois, e nem precisava. Ela era transparente para ele. Dava pra ver nos olhos inundados dela o amor transbordado. E, por trás dos óculos escuros, ele segurava o choro, para que proteger sua pequena. Aquele cara devia conhecer ela muito bem.
Afinal, se ela fosse fã de sua voz "melodiosa", seria um disparate.
É de dar inveja.

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