quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tudo Bem

“Ela nem faz uma pausa para respirar. Parece uma metralhadora de palavras.
Olha, se ela ficar roxa daqui a pouco, eu não vou ficar surpreso...
Se concentra! Tenta pelo menos voltar a ouvir o que ela está falando!
Ih, ela tá te perguntando alguma coisa. E agora? Ufa, um 'pois é' bastou.
Credo, já mudou de história. Agora ela tá dizendo alguma coisa com ‘bicicleta’ e ‘grande distância’.
Putz, lá vem um bocejo. Não faça isso, seu babaca! Segura! Disfarça!
Será que ela viu? Nem piscou, muito bem, você é demais.
É uma lista de coisas que ela sabe fazer?
Cruzes, se eu imaginasse o tamanho, tinha pedido pra falar o que ela não sabe fazer. Tricotar? Andar de skate? Suflê de espinafre? Mojito de morango com hortelã? Tocar bongô? Tá merecendo uma zoação.
Ah, olha aí o sorrisão dela. Se eu posso elogiar alguma coisa, é isso. Tantas coisas que eu poderia observar, mas o sorriso deve ser, de longe, a melhor. A risada também é engraçadinha, parece que tá engasgando, mas tudo bem.
Lá vem outra história, o repertório dela é infinito! Mas tudo bem.
Já tá tarde, tá na hora de levar ela em casa. Mas tudo bem.”

Então ele soube. Alguma coisa estava acontecendo.
Gostar de alguém pode ter vários níveis, formas, intensidades.
Aquele era sublime, depretensioso. Como andar de bicicleta até suas pernas cansarem.
Aquele gostar é quando você acha que tudo está bem demais.
Sempre.

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