O lençol não cobre o corpo todo. As pernas nuas dela estão ali, convidativas mesmo enquanto ela dorme. A respiração, antes ofegante e instável, agora é serena. O suor já secou e seus cabelos cobrem seu rosto. Seu sorriso é quase visível ainda, como se ela sonhasse comigo. E devia estar sonhando.
Eu também sorrio, de pé, olhando aquele corpo que foi meu por algumas horas. Eu faço menção de acarinhar o rosto da menina, mas volto atrás. Talvez ela acorde e veja que é hora de ir embora. E chore. E faça tudo ser uma tarefa mais impossível do que já é.
Eu vou até a sala. Visto lentamente a jaqueta de couro, esperando um chamado fraco dela. Nada.
Procuro a mochila velha. "Eu vou tirar você desse lugar.", eu disse. "Você vai ficar comigo." eu sentenciei.
Agora eu vou embora.
Vejo o sol nascer pela janela embaçada.
Coloco o meu óculos escuro.
Abro a porta da casa.
E, com um êxtase inimaginável e incompreensível para aqueles que não amam, eu escuto.
"Volta pra cama, meu bonito."
E eu volto.
LINDO!
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