Tic, tac...
Uma parte do meu coração virou bomba-relógio.
Ele se aperta a cada minuto, só de saber que você vai embora. Pra depois do mar.
Se fosse como seus finais de semana, em que você ia pra "casa", tudo bem. A mais gostosa certeza que eu tinha era de que seu rostinho de menina-mulher ia me receber com um sorrisão.
Mas são meses. Intermináveis e infinitos meses onde o Oceano Atlântico vai nos separar.
Tic, tac, tic, tac...
Vejo as horas passarem ao seu lado, nas aulas enfadonhas da universidade. Mas no fundo, vejo os ponteiros levarem um pouquinho de mim a cada segundo. Porque eu sei que a hora da despedida vai chegar. E eu também sei - suponho, na verdade - que não tenho nada marcante, nenhuma memória forte com você. A amizade, sim, ela é forte. Construímos um laço de confiança. Mas nada particular. Nada que possamos chamar de nosso e só nosso.
Tic, tac...
Maldita hora. Me vejo no aeroporto, fazendo força pra não chorar. Apertando seu corpinho de um-metro-e-meio como nada mais fizesse sentido. O seu avião partiria e eu olharia pela janela, vazio. Alguém bateria no meu ombro e diria:
- Vamos embora. Ela vai voltar logo. Você não vai nem sentir.
E eu responderia, amargo.
- Já estou sentindo.
Kaboom. Seis meses catando as peças do meu coração carbonizado.
E então, vou saber a data de sua volta. Vou montar tudo de novo, num quadro perfeito, como uma rosa pintada a óleo sobre tela. E vou te esperar. Sempre.
Meu, eu não sei que poder é esse que você tem de me emocionar assim.
ResponderExcluirme emocionar também! mais um texto lindo.
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