André foi viajar.
Com os amigos e, ao mesmo tempo, sozinho. Eles eram vozes que acompanhavam e faziam rir. Traziam harmonia e melodia na música, mas não carregavam sentido. A letra era ele que compunha. E nessa canção, a praia era a musa inspiradora.
André sabia que, longe dos grãos pálidos de areia, um povo celebrava a ressurreição de um cara barbudo aí. "Tenho que comprar chocolate por que o cara voltou dos mortos?" pensou, enquanto olhava o mar, como se esperasse no som de suas ondas, a resposta. As respostas.
O sol já relaxava atrás das colinas.
Então, a saudade chega, mansinha. Senta ao seu lado. E começa seu feitiço.
"Você já lembrou dela hoje?"
"Sempre. Você sabe."
"Pois é. Como que pode, né?"
"Pois é."
Adendo: André odeia o "pois é". É o jeito mais descarado de demonstrar a falta de interesse e assunto. Mas nesse caso, era infelizmente tudo que podia dizer. Ou isso ou "Você veio me encher o saco ou me matar logo?"
E a saudade, no seu vestido de veludo branco e cabelo esvoaçante, continuou.
"Ela é linda mesmo. E inteligente."
"Pois é."
"E parece gostar de você."
"Se você diz."
Risos. A risada dela era quase irritante, uma voz fininha de criança.
"Eu digo o que você sabe."
André suspirou, levantando-se. Limpou o calção, tirou os óculos de sol e, pela primeira vez naquela vida, mirou os olhos oblíquos e dissimulados da saudade e sorriu.
"Não, minha querida, você diz exatamente o que eu quero ouvir."
E correu para o mar. Para voltar só quando desse vontade.
Mais um texto que pegarei para mim.
ResponderExcluiràs vezes, acho que você sabe exatamente o que estou pensando.
Gostei e muito.
bonito :*
*sim, virei fã do blog. (hahaha, ou seja, de vocÊ.)