quarta-feira, 11 de novembro de 2009

não sei rimar

sim, estou aqui ainda
às vésperas de vinte primaveras
que, com sua rigidez militar, deixaram minhas mãos ásperas
e meu pensamento hesitante

virei fera, bicho, guerreiro,
homem, amante, servo,
vento, fogo, doce,
ou ainda uma mera memória
daquelas que se dissolvem na chuva
de um fim de tarde qualquer

sou essa tal lembrança sua,
um ator de uma peça de teatro mágico
onde eu já te quis,
já te amei,
já te usei,
já te larguei,
já te matei,
já te venerei.

agora, sigo em frente, mantendo a corrente forte
afinal, nossa vida é um eterno marulhar
as pessoas vêm e vão como uma onda no mar
e sua impressão marcada na areia
some.

3 comentários:

  1. Adorei o final: "as pessoas vêm e vão como uma onda no mar
    e sua impressão marcada na areia
    some."
    Ótimo texto, Giovanni!

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  2. você escreve muito bem..tem bons diálogos... estamos precisando de bons roeiristas...siga em frente.... para um rumo certo de lugares tão incertos nessa vida..
    bjs
    Naura

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  3. será que some mesmo?
    Pq estamos falando de cada primavera...

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