quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pensando alto

Imagine um futuro insólito. Como o Brasil entrando em guerra com outro país. Eu particularmente sempre penso nisso quando lembro que posso ser recrutado imediatamente até meus 45 anos, se necessário. Será mesmo que, do jeito que as coisas andam, um guerra não vai acontecer em 25 anos? Eu não sou tão pessimista, mas também não sou idiota. Pode ser que aconteça, na conjuntura de país emergente, com esse nosso espólio de batalha chamado “Amazônia”. E é lá que eu vou ter que lutar.
Ou não. Existem soldados que são treinados e educados para matar o adversário, mas que não precisam fazê-lo. Sequer vêem o inimigo em sua frente. Ficam em seus acampamentos, longe dos tiros, granadas e bombas, guardando um sentimento de ódio pelo adversário, que no final é só fachada.
Mas e se eu não for um destes sortudos?
Será que eu me tornaria um daqueles velhos heróis de guerra que, depois de tudo, veria os netos crescerem numa cadeira de balanço, com cicatrizes que iria contar como tinha conseguido e com aquela aspereza clássica militar?
- E essa aqui foi um tiro que eu tomei em Manaus. Eu estava com meus homens na linha de frente e o tenente Moraes cobria meu flanco esquerdo quando uma metralhadora abateu dez praças e... RICARDINHO, SEU PESTE! TIRA A MÃO DA PICANHA SENÃO TEU VÔ VAI TE DAR UMAS PALMADAS!
Ou, de repente, poderia ser um daqueles arruaceiros, que pilham os soldados mortos, procuram uma chance pra desertar, vivem de furto e viram a escória da sociedade.
É, forcei a barra.
Muito provavelmente eu seria um qualquer, que voltaria sem uma perna, ou num caixão. Lutando por alguém que eu nunca veria e por convicções que nunca chegariam a ser minhas.
E eu nem estou contando com armas químicas, nucleares ou de qualquer outra natureza devastadora.

O que me deixa triste é que isso tudo acontece todo dia. E não precisa nem ser numa escaramuça complexa dessas. Pode ser aqui, do lado de casa. É só ver o ponto de ônibus às 5 da manhã. Rostos vazios em direção ao campo de concentração que chamamos de vida.
Será que é mesmo um futuro insólito?

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