É claro que o mundo vive um tipo de caos generalizado. Algo inconstante e diferente de tudo que já aconteceu. Antes, nos tempos da Idade Média, as pessoas resolviam diferenças com a espada na mão e com suas próprias mãos. Era um caos sem qualquer escrúpulo, mas pelo menos as coisas aconteciam de acordo com a vontade dos homens. Todos com a força para lutar tinham poder sobre seu destino. Cada um fazia a sua própria sorte. Não digo que quero que, nos dias atuais, a cada vez que houvesse um desentendimento, espadas se cruzassem num duelo até a morte. As pessoas não viveriam, sabendo do estresse que nosso dia-a-dia é:
- Ei! Aquilo foi falta!
- Foi nada, o jogo é de contato!
- Você é cego? O cara quase perdeu a perna, seu idiota!
- Seu o quê? Repete!
- Idiota!
- Pega lá tua espada!
- Cai dentro, babaca!
E lá se vai uma amizade. E uma cabeça cortada. As coisas não podem mais ser assim, é verdade. Mas o caos de hoje é incomparável. Nada pode ser controlado, medido, combatido. As coisas acontecem e nós apenas assistimos, de camarote. A criminalidade cresce, aviões batem em prédios, ônibus são queimados, pessoas são mortas. E sem qualquer motivo político ou social que nos afete diretamente. Ligue sua televisão entre as novelas das 7 e das 8 para você ter noção do que eu digo. Tragédia atrás de tragédia, famílias destruídas, pessoas traumatizadas. E nada muda ao seu redor.
Você só sabe que tem gente se ferrando. E que você não pode fazer nada pra mudar isso. Pelo menos sozinho. O que eu quero dizer é que antes, as batalhas aconteciam por coisas palpáveis.
- Você viu o que o Manolo fez?
- Vi sim, ele matou o Carlito por que ele xingou sua mãe.
- Que coisa, rapaz. Será que ele não exagerou?
- Não, mas você não sabe do que o Carlito chamou ela...
- Ele chamou de...(sussurros).
- ...ah, ele mereceu!
E talvez, mais compreensíveis.
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