- Me encontre em Montauk.
Eu diria isso pra você. Assim, despretensioso, almoçando numa tarde quente de domingo ou entre copos de cerveja com os amigos. E um belo sorriso teu me deixaria desnorteado, por saber que você compreendeu. Eu não compreendo todo mundo. Pelo menos, não nessa intensidade.
Eu vi uma vez em algum lugar - cinema, livro ou muro pichado - que às vezes as pessoas querem atear fogo ao mundo, mas a vida leva os fósforos. E isso acontece quando você menos espera. Um belo dia e "puf!" (pra não dizer créu), já era. Seus sonhos, suas ideologias, e você (não você, as pessoas) recebe uma dose cavalar de frustração e suas ambições vão por água abaixo. Mas daí, mesmo sem fósforos, isqueiro ou técnica de escoteiro, aparece alguém que torna tudo mais simples, inflamável com um simples toque. Toque de veludo, com a pele macia. Pele perfumada, que se dilui no ar, mas resiste na memória. Memória(s) essa(s) que eu não quero perder nunca.
E mesmo que sua veia incendiária vá embora junto com outra chama, talvez menos viva que a minha. Mas eu nunca vou me apagar, vou ficar em brasas, procurando um pouco de álcool para me reacender com mais força.
Até que a gente se reencontre, numa festa por aí e você diga, com a cara mais preparada, refletindo a luz estrobóscopica no metal do canto da sua boca:
"Vamos fingir que a gente teve uma despedida, pelo menos."
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