Eu não costumo escrever sob pressão. Aliás, não costumo fazer absolutamente nada que envolva circunstâncias que apressem o produto final. O apressado come cru, me disseram. Porém, meu tempo é curto e a mensagem talvez não seja. Por isso, desta vez, eu abro uma exceção. Tudo em nossa vida, em nosso pequeno grande mundinho, é feito por exceções, um aparente desgoverno cósmico, onde as pessoas acreditam no acaso e ainda comentam: “Que coincidência!” E hoje eu crio essas palavras, com um sentimento aleatório de amor pela vida tão profundo, que é como se tivesse um grande sino de catedral batendo no lugar de meu coração, ressoando um som de gratidão e plenitude que eu nunca tinha provado em toda minha existência.
Ah, o inverno. Parece que o frio é uma necessidade que aproxima as pessoas, inerentemente. Às vezes, pelo calor dispensado por nossa máquina biológica perfeita. Outras, como em meu caso, na necessidade simples, singular, perene de ter alguém para dividir o frio. Alguém para falar bobagem, deitado de conchinha no domingo, debaixo de dez cobertores. Para ver um filme no cinema em que nenhum dos dois queria ver, mas que não faria diferença, pois era um momento deles. Antes eu achava que só aqueles casais que estão fazendo bodas de diamante pudessem ter essa sensação. Mas qual seria a graça de gostar?
Coisa engraçada é o medo de amar. A famigerada e inconcebível atração reprimida. Você tem medo de respirar? Acho que não, pois isso te faz viver. Amar também. Você tem medo de tomar dois litros de água diariamente? Não deveria, porque te faz bem. Amar, veja você, também. Você tem medo de rezar? Sem motivo. Afinal, essa é sua linha direta com Deus, o ?nico que seria capaz de explicar uma coisa tão sublime quanto o amor. Então, tenha medo das guerras. Tenha medo da injustiça. Tenha medo de qualquer outra coisa, mas não de amar e de acreditar no amor.
É meio complicado colocar em termos uma coisa como amizade. Eu vejo amigos como pessoas que se tornam extensões de seu corpo. Alguns te apóiam, como suas pernas. Alguns acariciam e amparam, como suas mãos. Alguns tentam te mostrar coisas de diversas perspectivas, como os sentidos. E tem aqueles que não servem pra nada, mas que você gosta de ter ao seu lado, como o apêndice, por exemplo. Sendo assim, eu os trato como trataria a mim mesmo. Não abuso de seu potencial, nem deixo que suas funções se atrofiem. E se o uso constante causa sua deterioração, eu não me entristeço, pois assim sei que aproveitamos nossa relação ao máximo.
Bom, agora faltam oito minutos exatamente para que este espaço seja cortado de minha súbita insipiração. Portanto quero terminar dizendo que eu descobri o segredo de viver. Sim, podem acreditar. Não é fácil, exige um sacrifício tremendo, ainda mais se o método nunca fez parte do cotidiano. É um caminho árduo, cheio de pedras e obstáculos. No entanto, seus frutos são incomparáveis. Aí vai: O segredo de viver é ser otimista. Que seu copo esteja sempre meio cheio.
Até.
Muito bom!
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