segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cheio de Graça #2

É engraçado como existem pessoas com uma certa...digamos..."alta auto-estima". Chega a ser estranha essa denominação. Alta auto. Um casal de pessoas com estatura acima da média.
Enfim. Eu usei de um eufemismo para não ofender aqueles que se acham as últimas bolachas do pacote, reis da cocada preta, os Meninos da Vila. Os que tem um ego do tamanho de um mundo.
Eu convivo diariamente com pessoas assim. Por exemplo:
- O que você ainda está fazendo aí no computador escrevendo se você tem que ir na palestra que EU ajudei a trazer para a faculdade?
Olhei bem para o rosto de meu colega.
- Eu estou tentando fingir que você não existe. Se eu conseguir, vou gravar e colocar no Youtube.
Desse jeito mesmo.

* * * *

Outra coisa legal de perceber é como o meu sobrenome causa graça em todo mundo. Eu poderia ganhar dinheiro com isso. Eu não sei como eu não ganho dinheiro com isso.
- Olá, hoje eu vim aqui nesse bar caríssimo para ganhar um couvert artístico milionário fazendo um stand-up comedy, o que suponho que vocês conhecem... não? Enfim, não preciso explicar nada. Só vou dizer o meu nome completo...
Risos. Gargalhadas. É tiro e queda. Ou assim:
- Oi. Aposto cem mil reais contigo se você não rir de mim. Qual é o seu nome completo? Eike Batista. Bom, o meu é...
E por que eu não escrevo ele aqui? Simples.
Agora que terminei, eu percebi que minha dignidade não é tão barata assim.

* * * *

Eu ando meio sem inspiração - dá pra perceber? OH, MEU DEUS! - para escrever. Não, minto. Eu ando com muita inspiração. Só não sei o que escrever. "Romance? Nah, muito comprido. Conto? Muito curto. Crônica? Muito crítica. Poema? Muito meloso. Artigo? Muito científico." No final das contas, eu acho que eu sou um pouco seletivo demais.
Em compensação, tem gente que escreve cada merda por aí que, hoje em dia, ficar sem escrever nada por um tempo é uma vantagem.
Mas não se assustem. Tem um cara aí, quase filósofo, que escreve histórias para quadrinhos. Um deles virou filme recentemente, Watchman.
E ele afirmou, categoricamente e com propriedade.
"Não existem personagens ruins, apenas escritores ruins."
E não é que é mesmo?

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