quinta-feira, 11 de março de 2010

Palavras sobre outra(s) pessoa(s)

Aviso aos navegantes: não são palavras minhas, as próximas escritas. São só reminescências do meu eu-lírico, um cidadão indignado com coisas do mundo e do pensamento. Qualquer semelhança com meu pensamento entorpecido é mera coincidência(?).

* * * *

Vou falar sobre o amor. E também aviso. Não serão palavras doces sobre este sentimento sublime. É o lado sacana de amar. Aquele faz você de idiota num dia chuvoso e sem cobertura.
Se o amor fosse um bicho, seria a raposa. Aquela cara de cachorro-sem-dono-com-a-língua-de-fora algumas vezes; em outras, aquele olhar fugaz de predador implacável, sem qualquer sinal de complacência para com sua presa. No caso, você, meu caro apaixonado.
E essa raposa velha ataca bem na mente, na alma e no coração, fazendo você, involuntariamente, fazer coisas idiotas e cagadas fenomenais.
Entre elas, uma que eu gosto de depreciar, o casamento precoce.

Outro dia, eu estava com minha sobrinha.
- Eeei! Sabia que eu vou me casar?
Olhei com desdém, com cara de quem vê um absurdo.
- Como assim, você nem carteira de motorista tem.
- E daí? O amor não escolhe idade.
- Claro, ele é cego, surdo, mudo e aleijado, não é o que dizem?
- Pode tirar onda, tio, mas eu amo ele mesmo.
- Por que você acha isso? Eu sei que não vou gostar de escutar, mas sou burro.
- Porque eu suo frio quando vejo ele, minhas pernas ficam bambas, meu coração palpita de emoção, a gente completa as frases um do outro, ele me entende, me escuta, é fofo, querido, fiel, engraçado... que mais? Ah, ele é bonito, claro, sabe o que eu gosto, tem a aprovação da mamãe e do papai...
- Minha sobrinha querida. Isso aí que você tem não é vontade de casar não.
- Como que não? É o que então, tio?
- Isso aí é uma mistura de gripe A com narcótico forte, usado por você e seus pais. Tá te deixando alucinada.

É, não dá pra aturar um sentimento como o amor, traiçoeiro que nem jararaca. E que ainda vai te dar dor de cabeça, se você tentar explicá-lo com lógica. O pobre matrimônio sagrado sofre com isso, pois parece que o amor só é consumado se ele ocorrer. O que é uma tremenda de uma babaquice.

Minha "esposa" e eu, no nosso apartamento, domingo à tarde.
- Nós vamos nos casar quando?
- Lá vem.
- É sério, quando que vai ser?
- Da onde você tirou essa obsessão por casamento agora?
- Como assim? Todo mundo que se ama, se casa!
- Amor, já brigamos todo o dia, já dividimos as contas de casa, temos um cachorro pra criar e o principal: nosso sexo diário virou semanal e logo, com certeza vai ser mensal. O que vai mudar se você entrar de véu e grinalda numa igreja, com 500 convidados?
- ...tá, esquece.
Ela levantou e saiu porta afora. Tentei consertar.
- Se você quiser uma festa de arromba dessas, eu faço!

É, amigos. O amor é mesmo uma alucinação, um destempero muitas vezes. Inteligível. Incompreensível. Uma doidice de criança.

Mas como diria o poeta: "Quem acha que não é louco, nunca se olhou no espelho."
Ou alguma coisa assim.

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